O auditório do espaço, com capacidade para 540 pessoas, além de 10 lugares destinados a cadeirantes, ficou praticamente lotado. A maior parte do público foi composto por mulheres, estudantes e profissionais, na sua maioria das áreas de pedagogia, psicologia e terapia ocupacional.
Genética, ambiente e autismo

A primeira palestrante do evento foi a Dra. Thaís Cidália. Biomédica e geneticista, ela é concursada no ambulatório de genética da Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO) há quase 20 anos e atua na Universidade Estadual de Goiás (UEG) como professora e pesquisadora.
Ela ganhou o meu coração nas primeiras frases, ao fazer a sua autodescrição. Sabemos como essa ferramenta é importante para garantir inclusão e acessibilidade nos eventos, e ela foi a única a utilizá-la.
Acessibilidade também está no palco
Thaís Cidália iniciou sua participação fazendo a própria autodescrição. Entre os palestrantes acompanhados nesta cobertura, foi a única a utilizar o recurso.
A doutora começou compartilhando uma imagem do estudo de uma orientanda no doutorado da UEG, Elza Uchoa, realizado em 2023, que confirma a existência de fatores genéticos e ambientais relacionados ao espectro autista.
“Essa combinação, ela tem que ser de tal forma, que todos esses fatores levam àqueles critérios que estão no eixo do autismo. Afetando áreas da comunicação, comportamento e no aspecto da interação social”, esclareceu.
Thaís Cidália também falou sobre a sua experiência nos atendimentos às famílias com condições genéticas raras, neurodivergentes e com doenças hereditárias na SES-GO.
Saiba mais sobre a Dra. Tháis Cidália: site e Instagram.
Diagnóstico, características e intervenção precoce

Em seguida, o neuropediatra Marcone Oliveira, também influenciador digital de grande alcance, respondeu a 18 perguntas que costuma receber no seu consultório e afirmou que todas as pessoas têm características do autismo, porém nem todas preenchem os critérios para o diagnóstico.
O médico também reforçou a ênfase no diagnóstico precoce ao compartilhar um caso clínico e adentrou, com humor, na área parental, trazendo evidências científicas. Estimulou as mães a terem um “vale night”, para dar uma namoradinha, e chamou a atenção para a importância da presença paterna dentro das salas de terapia.
Ao explicar o caráter dimensional do autismo, Marcone fez uma comparação com a pressão arterial:
“Autismo é um transtorno dimensional. Dimensional são doenças ou transtornos que não são categoriais. Quem aí tem pressão arterial levanta a mão, ou seja, se você não tiver, você está morto. Agora, quem tem hipertensão arterial levanta a mão. Então, todos nós temos, a certo ponto, os sintomas. Mas, a partir de um ponto, ele começa a trazer prejuízos e, a partir daí, temos um diagnóstico. Isso significa ter um transtorno ou uma doença dimensional. O autismo, ele é dimensional. Todos nós temos algumas características, mas, a partir de certo ponto, ele se torna um transtorno”, explicitou o neuropediatra Marcone Oliveira sobre o diagnóstico no autismo.
“O autismo, ele é dimensional. Todos nós temos algumas características, mas, a partir de certo ponto, ele se torna um transtorno.”
Marcone Oliveira, neuropediatra
Saiba mais sobre a Dr. Marcone Oliveira: site e Instagram.
Diagnóstico tardio, TDAH e o olhar para o indivíduo

O influenciador digital Saymon Veiga, contou a sua história até chegar no diagnóstico de TDAH e comentou que se tivesse sido diagnosticado na infância, provavelmente não teria tentado suicídio, não teria tido problemas para conseguir emprego, nem teria se envolvido com drogas. E citou pesquisas que confirmam que pessoas com TDAH apresentam maior risco de desenvolver dependência química devido alterações no sistema de dopamina.
Saymon também frisou, durante toda a palestra, a necessidade de sermos mais humanos.
“Quero convidar vocês, depois de um dia inteiro de diagnósticos, de definições, a começar a serem humanos. Quando você se deparar com um indivíduo, lembre que existe um ser humano e não um diagnóstico na sua frente”, alertou.
Saiba mais sobre a Dr. Marcone Oliveira: Instagram.
Confira um resumo de todas as palestras
O que fica depois do seminário
É muito bom trocar figurinhas. O evento me trouxe pontos muito importantes a serem observados e estudados mais profundamente. Me fez lembrar da minha monografia, onde aprendi a contradizer a mim mesma, em pessoa e no manuscrito, através de teorias. Mas jamais, jamais, ignorar pesquisas científicas para satisfazer os meus desejos enquanto pesquisadora ou ser humano. Ao contrário, encontrar nelas uma brecha e complementar com respeito e compaixão, com responsabilidade e empatia.
Lembrei que devemos dar o crédito, por menor que ele seja, sempre, a quem quer que o mereça, às mães e responsáveis por crianças, adolescentes e adultos dentro do espectro autista. E aos terapeutas. Acredito que isto seja a base para a construção de uma sociedade preparada para ser, de fato, do futuro.
O Centro de Eventos do Recife
Para quem ainda não conhece o local, lá tudo funciona direitinho. É perto do Aeroporto Internacional do Recife, próximo ao bairro de Boa Viagem e ao centro do Recife.
O estacionamento, apesar de pequeno, parece comportar bem o público e custa R$ 25 a diária. Nota 10 para a escolha do Centro de Eventos do Recife e para a logística do Seminário como um todo.
Conheça: centrodeeventosrecife.org.br.
Leia também:
Confira algumas fotos
Créditos: Thiago Paixão / Divulgação






